Matéria #1 - Kurumada e o Star System



Olá! Eu sou Sir. Sarah e essa e, a primeira matéria de várias que farei aqui na Kurumada Legend's. Só não prometo periodicidade (risos), tudo depende da explosão de inspiração que tenho para conseguir transcrever o que penso. Também é a primeira vez em cinco anos que escrevo uma coluna. Minha última foi para o extinto Crash Inside.

Bem, esses textos serão mais em quesito informativo para derrubar alguns pré conceitos e dúvidas do fandom sobre Kurumada e suas obras. Já deixando claro que não estarei defendendo o criador de Saint Seiya, mas explicando algumas coisas do meu ponto de vista. E para inicio, falaremos um pouco de algo um tanto polêmico e que é motivo de chacota, zoação ou mesmo escárnio pesado sobre o autor Masami Kurumada. Falaremos do Star System.

Antes de começarmos, muitos já devem ter lido uma ou duas obras de Masami Kurumada, além de Saint Seiya, e notado, seja discretamente ou escancarado, a similaridade entre seus personagens que, às vezes, só é mudado a suas personalidades. 

 Pois bem, esse sistema foi inventado e muito utilizado por Osamu Tezuka, considerado o 'deus/pai' do mangá moderno. Resumindo, o Star System, é um sistema ao qual o criador tem um elenco de atores fixos, assim como em novelas e filmes, e o autor somente reloca esses “atores” no personagem que quer. Graças a isso conhecemos o Seiya boxeador, Seiya Cavaleiro, Seiya jogador de beisebo, Seiya ninja e etc. Porém, não é só o “Seiya” (que na verdade deveria ser chamado de “Ryuuji”, já que o protagonista de Ring ni Kakero nasceu bem antes do protagonista de Saint Seiya) que passa pelo Star System. 

Por isso, começarei a citar os atores por suas formas físicas ou trejeitos sem denominar nomes/rótulos para eles. Como Kurumada tem várias obras, falarei sobre um mangá em específico no qual o ator seja o protagonista e nos demais que ele aparece.

Agora você pensa: “Olha lá! Lá ai a Sarah começar logo com aquele cara moreno, marrento, que estou cansado de ver e que o Kurumada usa e abusa como protagonista”. Não, não falarei dele (mesmo eu gostando muito dele como Teppei e Kojiro), mas começarei por um jovem alto e caucasiano, de expressões sérias e personalidade forte (independente do personagem), com seus cabelos variando nas cores castanho claro ou loiro (nas mãos de Okada ele fica ruivo).


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E quem são esses da imagem? São Aiolia de Leão de “Saint Seiya”, Zaji de “Raimei no Zaji”, Kaiser de Leão de “Saint Seiya: Next Dimension” e Perseu dos pôsteres de “Fúria de Titãs”. Á partir de agora, não estranhem a forma que estarei conduzindo a matéria, pois o tratarei como se realmente fosse um ator, já que essa é a essência imposta pelo Star System de Osamu Tezuka. Desses quatro personagem, é no mangá Raimei no Zaji que ele atua pela primeira vez e logo como o protagonista. Raimei no Zaji, foi concebido em 1983, três anos de diferença do que seria o personagem mais marcante desse ator, o Aiolia de Leão (Saint Seiya, 1986). Em Raimei no Zaji, esse ator está moreno e faz o papel de um rapaz que ainda criança é tomado por uma organização chamada “Home”. A intenção dessa organização está na criação de soldados perfeitos, usando tudo ao seu alcance para controlar e moldar a personalidade dessas crianças conforme seu crescimento. Porém, Zaji, como auto se denomina, ao fugir da organização (até então ele era conhecido por uma numeração específica), consegue escapar de lá para procurar alguém que está em sua memória e que a organização não conseguiu apagar completamente da vida do rapaz. Após isso, agentes da Home são mandados para exterminar Zaji. Infelizmente, Raimei no Zaji está em hiatus com três capítulos e um especial compilados em um volume único. Obs.: Aos escrever essa resenha, me lembrei do filme Soldado do Futuro de 1998, estrelado por Kurt Russell. Principalmente que as atitudes de Zaji também me lembram as atitudes mecânicas e frias do Sargento Todd. Após a má recepção do público com Raimei no Zaji na época, o ator foi colocado em standby e três anos depois é trazido como um personagem secundário em Saint Seiya, o cavaleiro de ouro, Aiolia de Leão. E diferente do seu papel principal em 1983, em 1986 como secundário, Aiolia foi muito bem recebido pelo público, sendo um dos dourados preferidos, tanto que o personagem ganhou uma série própria, mas interpretado por um ator um pouco diferente de si pelas mãos de Megumu Okada. E com o fim de Saint Seiya, novamente o rapaz foi colado em espera e voltando em Saint Seiya: Next Dimension (2006), como Kaiser e reprisando o papel de cavaleiro de Leão, tendo somente o penteado mudado levemente. Enquanto seguia a história de Next Dimension, o ator fez um trabalho especial como o personagem, Perseu nos posters de divulgação do filme Fúria de Titãs (2010). E com uma fama estabelecida, o ator voltará novamente (mas sem data prevista) ao seu papel principal de 1983. Com essa explicação (um pouco fantasiosa, mas sem perder a essência do que é o sistema), podemos ver claramente como é o Star System. É simplesmente um ator atuando em vários papeis no decorrer de sua vida. No caso deste, sofrendo algo que acontece com vários atores, que é ganhar um personagem principal, não o fazer bem ou ser afetado pelo roteiro e por conta disso ser colocado em espera até uma próxima oportunidade como secundário e, com isso, atuar tão bem que possa alavancar sua carreira. Exemplos assim temos de Ryan Reynolds com Lanterna Verde e agora como Deadpool, assim como personagens de Osamu Tezuka que começaram como secundários e se tornaram protagonistas, como foi com Black Jack que fazia participações de um quadro em outras obras e depois recebeu um mangá todo sobre si. Meu intuito aqui não é defender esse sistema, eu mesma adoro autores de mangás que inovam em personagens, como Eiichiro Oda, Masashi Kishimoto e Kubo Tite. Inclusive reconheço essa dificuldade do Kurumada em inventar novas “caras”, então ele tenta superar essa dificuldade usando o sistema de Tezuka e principalmente tentando inovar em personalidades. Mais do que os fãs, acredito que Kurumada sabe bem desses seus defeitos e tenta, de alguma forma, fazer algo que faça valer a pena os leitores pegarem seus mangás para ler. Isso, em particular, me animou em conhecer seus trabalhos, até porque eu já fui em pouco preconceituosa com os trabalhos dele. E existem inúmeros autores que desenham e até roteirizam melhor que ele, mas ele mesmo com seu pouco, faz muitos fantasiarem e se divertirem. É de uma simplicidade boba que para mim encanta. E caro leitor, não se sinta obrigado a gostar do Kurumada ou de seus trabalhos. Você tem sua opinião e ela vale muito. Meu intento aqui é informar e explicar de forma interpretativa o que é o Star System e como provavelmente Kurumada o usa com seus personagens/atores. Pode ser que seja preguiça ou mesmo dificuldade do Kurumada, nunca saberemos, mas temos que ter em mente que mesmo com o cenário atual ele se esforça no sonho dele, que é desenhar mangás para as pessoas. Tanto que o mesmo retoma obras que não tiveram boa recepção antigamente pelo simples prazer de fazer algo que sempre sonhou (Otokozaka) e pelos poucos fãs que gostam da obra (Raimei no Zaji). Se você leu até aqui, muito obrigada. Espero ler suas opiniões (sejam boas ou ruins) sobre Kurumada, suas criações e principalmente sobre esse texto. Independente se você é Masamist, simpatizante ou odiador do autor, sua opinião é sempre válida. Atenciosamente, Sir. Sarah Hellsing

2 comentários :

Matéria sensacional. Parabens Sarah.

Grande matéria. Realmente dá uma outra visão a respeito do autor; visão que diversas pessoas, inundadas em seu próprio preconceito, deveriam adotar. Kurumada, independente de suas limitações roteirísticas ou artísticas, merece, sim, ser chamado de Mestre.